Reflexões sobre 2025 e Planos para 2026.
- Robbie Gonçalves
- há 4 dias
- 4 min de leitura

O REVERSO DO SONHO: Uma Reflexão sobre Percursos e Cicatrizes
O ano de 2025 terminou com um sentimento: FRUSTRAÇÃO.
Isso mesmo. Terminei o ano com essa palavra flutuando nos meus pensamentos e invadindo meus sentimentos. Não digo que 2025 foi um ano ruim, muito pelo contrário! O ano de 2025 foi diferente e muito produtivo.
EU REALIZEI UM SONHO!!!
Mas porque eu estou com esse sentimento de frustração e me sentindo como se não tivesse alcançado nada? Qual o motivo deste vazio?
Primeiro pensei sobre o pensamento de Schopenhauer:
"A vida é uma constante oscilação entre a ânsia de ter e o tédio de possuir. "
Muitas vezes, somos levados a acreditar que a realização de um grande sonho é o ponto final de todas as nossas buscas — o momento em que as peças do quebra-cabeça finalmente se ajustam e a plenitude se instala. No entanto, a realidade é mais silenciosa. Quando o objetivo é alcançado, a vida simplesmente continua, revelando um vazio que nos impele a buscar o próximo horizonte.
Entretanto, a frustração que carrego hoje não nasce dessa melancolia natural da conquista. Ela tem uma origem muito mais específica e dolorosa.
Minha desilusão é fruto de escolhas equivocadas no caminho editorial; de ter confiado o fruto do meu esforço e investimento a mãos que não souberam honrá-lo. É profundamente amargo constatar que, em vez de suporte, encontrei negligência. Paguei não apenas um valor financeiro, mas um preço emocional altíssimo por um serviço que me desrespeitou e me descartou. Vi o que deveria ser a celebração de uma obra transformar-se em um processo de desvalorização pessoal.
As consequências desse percurso foram severas, afetando minha saúde mental de forma profunda e me levando a questionar a própria vontade de seguir adiante. É desalentador perceber que existem instituições que, sob o pretexto de publicar sonhos, operam através de uma dinâmica exploratória e tóxica, onde o erro é transferido para o autor e a empatia é inexistente.
Este é um desabafo necessário. Precisava externalizar esse peso para que ele deixe de me sufocar. Encerro este ciclo não com gratidão à experiência, mas com a resiliência de quem sobreviveu a ela. Deixo essas dores para trás para que, finalmente limpa desse fardo, eu possa me dedicar com renovada leveza ao meu próximo livro.

RETROSPECTIVA ARTÍSTICA:
O ano de 2025 foi um ano de mudanças, principalmente artísticas.
Participei de vários cursos e menttorias sobre ilustração infantil e percebi que precisava arriscar mais e incorporar mais arte aos meus projetos.
Mesmo com o meu estilo estabelecido, percebi que precisava melhorar. Precisava torná-lo mais "vendável" ou "agradável aos olhos dos adultos por trás do setor editorial".
É engraçado como as pessoas implicitamente decidem o que é um estilo certo ou errado para ilustração infantil. Adultos decidindo e influenciando a visão artística das crianças...
Então comecei a experimentar novos materiais e novas técnicas.

Participei da Mentoria do autor/ilustrador brasileiro Rogério Coelho,
Cursos de Tecnicas de Sketchbook e técnicas de Pastel Oleoso da Ilustradora ucraniana Elina Ellis (Indigo Bee Academy);
Curso de Técnicas de Guache da ilustratora Ema Malyauka,
E muitos outros cursos gratuitos que encontrei pela web.
Mas todas essas experimentações para tentar mudar de estilo apenas me fizeram chegar a um bloqueio criativo. Eu não sabia mais quem era . Perdi a minha identidade.
Bom, talvez nem tanto. Mas acho que preciso de um tempo para assimilar todas essas novas tecnicas e informações para incorporá-las ao meu estilo próprio.

REFLEXÕES DA VIDA:
Se de primeira não der certo...
...tenha um surto, desista de tudo por uns cinco minutos e, depois de um bom tempo curtindo a própria fossa, recomece com aquela teimosia que só a gente tem.
Eu não acredito muito nessa história de "talento natural" quando o assunto é arte. Gosto de pensar que a arte é um caminho aberto para qualquer um que esteja disposto a caminhar. Aquela "centelha" que as pessoas chamam de dom ou habilidade nata, no fundo, nada mais é do que uma paixão muito individual e única. Talvez nem todo mundo tenha isso. Mas, se você está aqui, as chances de você já ser uma artista ou de estar morrendo de vontade de começar sua jornada criativa são enormes.
A verdade é que você já tem aí dentro tudo o que precisa para criar algo que só você pode trazer ao mundo. Não falta nada que o tempo e a prática não resolvam. Agora, vamos ser sinceras: isso não significa que seja fácil. Muita gente fica pelo caminho.
Mas, se a sua vontade de criar é forte o suficiente para te impedir de desistir de vez, então você já ganhou. Você tem a tal "centelha". Você não precisa de um talento mágico para alcançar seus objetivos, e não precisa nem ser "super boa" em algo antes de começar a curtir o processo e colher os frutos.

PLANOS PARA 2026:
Finalizar e publicar meu segundo livro autoral;
Colocar os pés no chão e voltar ao meu trabalho como piloto de navio (e continuar criando meus livros em paralelo);
Continuar estudando sobre escrita e Ilustração de Livro Infantil.
Viajar;
Ler mais livros.
Não quero criar uma lista muito longa, apenas o básico para manter a cabeça em funcionamento e não estagnar depois de tanto esforço e dedicação.
Quero que 2026 seja leve e livre de cobranças.
Desejo que 2026 seja bom para você também.
Obrigada por estar aqui comigo.
Com amor,
Robbie.









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