Efemérides 02/26: Uma Reflexão Sobre Fevereiro
- Robbie Gonçalves
- 28 de fev.
- 3 min de leitura
Atualizado: 28 de fev.

Ruído, Silêncio e Confete
Passei o mês de fevereiro com um sentimento de vazio no peito e aquela ansiedade sussurrando no meu ouvido: "Sua arte não é boa; você deveria voltar para o seu buraco e se recolher ao esquecimento." Não é algo muito agradável de se ouvir dentro da própria cabeça, mas, infelizmente, acontece.
Passei semanas sem entrar no meu estúdio. Fechei a porta e afundei na escuridão do meu coração mais uma vez.
Como não conseguia desenhar, empenhei-me na leitura e revisitei séries que me fizeram refletir sobre a vida. Então, me senti burra. Isso mesmo. E isso me deixou com muita raiva de mim mesma. Porque eu sabia exatamente qual era o problema e o que o causou: excesso de redes sociais. Excesso de um veneno chamado Instagram.
Senti tanta raiva ao perceber que fui manipulada exatamente como eles planejaram: viciada em rolar a tela, assistindo a vídeos curtos, perdendo minha capacidade de concentração e aprendizado. Eu me senti burra e estúpida. Nunca fui burra. Nunca fui boa em matemática, claro, mas nunca fui burra com as palavras, com a compreensão de textos, com a filosofia... Mas me senti burra pela primeira vez.
E isso acabou comigo. Eu quis compartilhar este momento, e a jornada de volta.
Reivindicando a Mente Através das Páginas
Em janeiro, li Almas Mortas, de Nikolai Gogol.
Fevereiro foi o mês em que me esforcei para ler mais novamente, como eu costumava fazer antes das redes sociais... então estou caminhando lentamente.
Primeiro, criei coragem para ler A Cidade do Sol (A Thousand Splendid Suns), de Khaled Hosseini. Esse livro me destruiu, mas toda mulher realmente deveria lê-lo.
Depois disso, li A Metamorfose, de Kafka. Nunca tinha lido antes e me surpreendi.
Em seguida, foi a vez de Sobre os Ossos dos Mortos (Drive Your Plow Over the Bones of the Dead), da escritora polonesa Olga Tokarczuk, ganhadora do Nobel de Literatura em 2018. É um romance noir ecológico que explora a relação entre humanos e natureza, questionando a superioridade humana e a crueldade com os animais através de uma trama de mistério envolvendo mortes em um vilarejo polonês. É narrado por uma protagonista excêntrica, amante da astrologia e da poesia de William Blake, que se dedica à defesa dos animais, misturando suspense, filosofia e crítica social.
"O Resto é Confete"
Desde a primeira vez que assisti à série A Maldição da Residência Hill (The Haunting of Hill House), fiquei obcecada por essa obra-prima. A princípio, parece uma história de terror repleta de fantasmas, mas se você olhar além dos sustos iniciais, perceberá que se trata, na verdade, sobre família e trauma. Os fantasmas ficam em segundo plano, quase esquecidos.
Os verdadeiros fantasmas são os sentimentos que carregamos:
"Fantasmas são a culpa, fantasmas são segredos, fantasmas são arrependimentos e falhas. Mas, na maioria das vezes... um fantasma é um desejo."
A série é baseada no livro homônimo de Shirley Jackson, mas a história não é a mesma. Eles apenas usaram a premissa central do livro e, pela primeira vez, preferi a história da série à do livro. No entanto, Shirley Jackson escreveu a introdução mais espetacular e sublime de qualquer livro que já li:
“Nenhum organismo vivo pode continuar a existir por muito tempo com sanidade sob condições de realidade absoluta; até pássaros e grilos são tidos, por alguns, como sonhadores. A Residência Hill, não sã, erguia-se sozinha contra as colinas, retendo a escuridão em seu interior; estava ali há oitenta anos e poderia permanecer por mais oitenta. Em seu interior, as paredes continuavam verticais, os tijolos se encontravam em harmonia, os assoalhos eram firmes e as portas estavam sensatamente fechadas; o silêncio apoiava-se persistentemente contra a madeira e a pedra da Residência Hill, e o que quer que caminhasse ali, caminhava sozinho.”
Revisitei essa série em fevereiro e o sentimento ao assistir foi ainda mais intenso. Conhecer a história completa me permitiu notar quanta dor carregamos pela vida. Há um monólogo de uma personagem que nunca saiu da minha cabeça:
"Eu amei vocês completamente. E vocês me amaram da mesma forma. Isso é tudo. O resto é confete."

Essa frase significa que, diante da morte ou do fim da vida, apenas o amor compartilhado importa, enquanto todas as outras memórias, dores e experiências triviais caem ao nosso redor como confetes: passageiros, bagunçados e, por fim, sem importância.
Às vezes nos importamos demais com o barulho ao redor e esquecemos de prestar atenção no que realmente importa.
Aquele monólogo do "Confete" da Nell Crain é um dos momentos mais arrebatadores da televisão moderna. É uma metáfora perfeita para a minha luta com as redes sociais: o "ruído" e o "rolar da tela" são apenas confetes, enquanto minha arte e minha paz interior são o que realmente importam.
Com Amor,
Robbie.
PARA ASSISTIR:



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